quinta-feira, 5 de março de 2015

CMA realiza audiência pública para discutir políticas públicas para população indígena de Apodi



A câmara municipal de Apodi realizou uma audiência pública para tratar de assuntos de interesses do povo indígena do município.

O presidente da câmara João Evangelista Mendes falou sobre a importância da realização da audiência pública não somente para o povo indígena, mais para todo o município, relatou que o povo indigna é um povo esquecido, lembrou que o atual prefeito é professor de História, e que era de grande importância a presença do mesmo no evento, pois o mesmo é a peça chave para a discussão, relatou que a audiência é uma das mais importantes já realizadas na câmara.

Lúcia Tavares iniciou lembrando da grande importância de Luiza Cantófa que morreu lutando pelo povo indígena, a presidenta do centro cultural lembrou que estão lutando por seus direitos, e pela luta para a construção de um museu para abrigar as peças líticas, explanou sua preocupação em preservar essas peças, disse que já foi ameaçada de virem buscar as peças e que essas peças tem que serem preservadas para que a história indígena não morra, Lúcia afirmou que o povo indígena de Apodi tem que ser o seu espaço,falou sobre o preconceito que muitos tem com os indígenas, e que a mesma já sofreu na pele, pediu aos vereadores apoio para manter o centro cultural legalizado , apoio com projetos que beneficiem a população indígena, a mesma disse que não tem dinheiro que compre sua dignidade só quer manter a história de seu povo viva. INFAM

O secretário de Turismo Júnior Costa, e representante do executivo na ocasião começou justificando a ausência do prefeito municipal, dizendo que o mesmo estava na capital do estado tratando de assuntos importantes com o secretário estadual de recursos hídricos, o mesmo falou sobre a importância da cultura, disse que esse resgate histórico já deveria ser visado a muito tempo, falou que o já vem tentando dar identidade a Apodi, e tem alguns projetos que serão desenvolvidos em breve, como a praça recanto dos tapuias que será feita nas proximidades do bar leão, Projeto mais educação com pesquisas na área, e deixou a pasta de turismo a disposição do CHCTPLA.

A professora Mônica Freitas falou que se engajou na luta para ajudar Lúcia Tavares a manter a história dos tapuias paiacus viva, afirmou ser descendente de índio, falou que seu pai com mais de 80 anos é descendente do povo indígena, a mesma disse que pesquisa bastante sobre a história, e que não entendia o porque do Rio Grande do Norte não mostrar mais dados de habitantes indígenas, falou sobre a importância da internet na pesquisa, e relatou sobre a história dos índios que habitavam o Apodi e todo o RN, relatando a história sofrida dos índios no território, da perda de sua cultura, perda de sua língua, de sua religião e de tantas outras imposições, a mesma ainda afirmou que o povo indígena não querem se auto declarar por medo do preconceito, por medo de perseguição ainda nos dias de hoje, lembrou que o único recurso que o índio tem no RN é a auto declaração, pois não se tem mais aldeias, a não ser as que foram reconstruídas, disse que o centro tem como objetivo reconstruir a comunidade indígena de Apodi, afirmou que alguns conseguiram mudar sua história, mais que muitos continuam sem terras.

A professora Sara reafirmou o discurso da professora Mônica, falou sobre a importância da história do município de Apodi, parabenizou a luta de Lúcia Tavares, disse que o Instituto federal está a disposição, assim como o NEAPS.

O vereador Laete Oliveira iniciou falando sobre o papel da câmara municipal, sobre a importância da participação da FUNAI no centro, falou que é criador do projeto de lei que garante a criação do conselho.

O presidente da cãmara falou que o terreno que já pertenceu ao povo indígena pertence a um empresário, e que o mesmo está disposto a vender.

O vereador Ângelo Suassuna falou que a classe indígena tem o total apoio do mesmo, pediu para que o prefeito reative a secretaria de igualdade racial, e que se engaje na luta do centro cultural, disse que está totalmente a disposição do centro cultural.

O presidente da câmara João Evangelista Mendes abriu o questionamento, e falou que a principal encaminhamento é uma reunião com o empresário que é o dono das terras, e falou sobre o projeto disposto por Lúcia para a discussão, pediu aos vereadores que possuem representantes em Brasília apoio para o desenvolvimento do projeto, e que no momento o principal objetivo é a aquisição das terras.

O vereador Nilson Fernandes reforçou a importância da luta, do registro da história do município  que é de muita importância para todos os munícipes, e falou que é dever da câmara da condição ao centro para a publicação e a pesquisa da verdadeira história indígena.
Graça Lucas técnica da COEPI justificou o atraso, e falou da importância da luta, e disse que está técnica e que é representante do movimento negro há 35 anos e que está a disposição do centro Cultural.
Cala Lemos coordenadora da COEPI inciou falando que é historiadora, e que está disposta a sair a luta para descentralizar as demandas de inclusões, relembrou a exterminação dos índios, falou que a COEPI dará condição a Lúcia Tavares para que a mesma entre em contato com os órgãos para que consiga sim adquirir a terra que pertencia aos índios.

Zé Francisco participante da audiência começou indagando o atual prefeito pela não participação do mesmo, e lamentou a extinção da secretária da mulher e igualdade racial, disse aos presentes que eles precisam entrar inteiramente na luta, e disse que é obrigação da secretária de ação social está presente, assim como do atual prefeito, conclui o dizendo que terra é um bem comum de todos.
O presidente deixou o carro da câmara a disposição para o cadastramento dos indígenas.

Emerson Medeiros-Da Redação



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